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Batalhas entre facções mudam mapa de 61 Cygni
Regiões interditadas, tomadas, destruídas e recuperadas são o saldo atual da guerra

Quem vive no Núcleo e há muito tempo não atravessa os portais que levam ao Setor Barnard ficaria facilmente perdido se visitasse o setor hoje. Às mudanças cosmopolíticas que seguiram-se às explosões causadas pelo miniburaco negro, juntou-se a revolução total no mapa de 61 Cygni após o Levante Renegado. O Setor Barnard mudou radicalmente nos últimos anos, e o Taikonews faz uma retrospectiva da história de 61 Cygni para ninguém chegar lá desinformado.
A catástrofe
A segunda implosão de um miniburaco negro nos arredores de 61 Cygni, em 158 ER, foi a oportunidade que o Consortium esperava para expandir suas fronteiras. Com a dissolução de comunidades barnardianas e a chegada de oportunistas e grupos criminosos atrás dos recursos naturais do sistema, o conglomerado se apressou em firmar os contratos de concessão e exploração de 61 Cygni para uma “missão humanitária” com o objetivo de reconstruir, reestruturar e pacificar o sistema.
Em pouco tempo, lideranças barnardianas que trabalhavam em cooperação com o Consortium começaram a acreditar que cada corporação trabalhava apenas em benefício de sua própria agenda e do alinhamento político mais favorável aos seus interesses. Cinco anos depois, essa insatisfação geraria frutos envenenados.
Os bastidores renegados
Em 163 ER, o conflito conhecido como Levante Renegado arrasou 61 Cygni. Durante os cinco anos de ocupação consorciada, agentes sob o comando de Billy Bates infiltraram-se nas corporações enviadas pelo Consortium e descobriram uma forma de virar o jogo a favor dos barnardianos. Os renegados começaram a pôr em prática sua estratégia de desvio de recursos e desenvolvimento de tecnologias próprias ao utilizarem Zonas de Espaço Profundo (ZEPs) mapeadas pelos pioneiros belters que desbravaram o Setor Barnard, mas que foram esquecidas por serem muito perigosas. O perigo deve-se à existência de hazard areas causadas pela grande quantidade de cristais piezogravitacionais presos em asteroides, os quais afetam os sistemas de navegação das naves. Por isso pode-se dizer que, para ser um renegado antes e durante o Levante, além dos ideais de independência e autonomia, foi preciso ter muita destreza em pilotagem.
Aproveitando o afastamento de diversos agentes acusados de corrupção - incluindo o comandante da Patrulha Estelar, Fernando Machado -, Billy Bates e seus agentes infiltrados deram início ao Levante. As ZEPs tiveram papel fundamental na estratégia de guerrilha renegada, sendo utilizadas pelas brigadas da Resistência como atalhos cósmicos para surpreender as defesas das forças consorciadas em ataques fulminantes e imprevisíveis. Além de prover o fator surpresa nos ataques durante o Levante, as ZEPs também foram utilizadas para o transporte de recursos desviados das corporações consorciadas.
O revide do Consortium
Logo após a deflagração do Levante, com a retirada das corporações do sistema por ordem do Consortium, a Patrulha Estelar ficou claramente em desvantagem e pouco pôde fazer para evitar que os renegados tomassem Thor, uma das regiões consorciadas mais seguras de 61 Cygni. O ponto de virada nesse conflito aconteceu quando comunidades barnardianas alinhadas ao Consortium resolveram ajudar, fornecendo os mapas das ZEPs utilizadas pelos renegados.
Neil Pace, que acabara de assumir o comando das forças consorciadas coligadas, imediatamente organizou uma operação para acabar com o saque de cargas consorciadas e recuperar o moral de seus pilotos. Os consorciados levam a guerra até as ZEPs onde os renegados mantinham seus principais centros de comando, em meio aos cristais piezogravitacionais. A batalha em plena hazard area foi brutal. Enquanto os consorciados ainda comemoravam o triunfo sobre os renegados, o sistema de autodestruição das estações renegadas foi ativado, eliminando junto boa parte da frota consorciada.
Em um último ato heroico antes dos primeiros reforços chegarem, Neil Pace alinhou o que sobrou de sua frota e partiu para Loki, onde o Levante havia começado e que estava desde então sob comando renegado. A retomada de Loki pelo Consortium foi o troco, na mesma moeda, pelo ataque renegado em Thor.
Um novo mapa para 61 Cygni
As duas estrelas que formam 61 Cygni tiveram seu brilho diminuído pela fúria irascível dos combatentes. As regiões no entorno de 61 Cygni A, a estrela mais brilhante e menos populosa, foram as mais afetadas pelo conflito. Preocupadas com as consequências de um possível novo cataclisma cósmico, devido à intensidade dos combates, as Consciências Artificiais do Colegiado interviram, desabilitando portais e antenas que interligavam as regiões entre as duas estrelas do sistema. Ainda hoje, as regiões de 61 Cygni A estão inacessíveis. O Alto Conselho do Consortium e a cúpula da Aliança Renegada tentam recorrer da decisão - até agora, sem sucesso.
O Levante foi a declaração de independência dos renegados. Embora o Consortium não reconheça a autoridade dos renegados, o Colegiado, as demais comunidades do Setor Barnard e os povos que habitam a Fronteira já reconhecem a Aliança Renegada como uma sociedade autônoma e soberana. Com esse reconhecimento a facção passou a ser supervisionada por organizações universais como a Hoplon Trust e o próprio Colegiado, o que evita que a Aliança Renegada alie-se ou colabore com facções criminosas. Em troca, garante-se o direito a cotas de ressurrectos, a integridade na transmissão dos registros de personalidade, além do cumprimento dos direitos universais inalienáveis a todos os cidadãos.
Passados os momentos iniciais do conflito e interditados os acessos a 61 Cygni A, as regiões de 61 Cygni B foram reestruturadas pelas facções dominantes. Regiões que serviram de base provisória durante o Levante foram oficializadas como quartel-general e receberam grandes investimentos em infraestrutura. Outras regiões foram renomeadas para se adequarem à nova realidade do sistema.
Realidade instável
Iniciamos este ano de 164 ER com as duas facções posicionadas em torno de 61 Cygni B, separadas por uma barreira de asteroides. “Elas são como dois grandes corpos celestes em rota de colisão iminente”, resume o especialista em diplomacia interestelar Norman Kepler, colaborador do Taikonews. Polêmico, ele afirma: "Antes da catástrofe, 61 Cygni era um paraíso para contrabandistas. A falta de fiscalização era notória; o sistema abrigava seis sindicatos de mineradores com poderes de repúblicas, que disputavam espaço entre si; as comunidades pacíficas eram representadas por partidos corruptos. Ou seja, o sistema estava fadado ao caos desde o início. Honestamente, acredito que a implosão daquele miniburaco negro, ainda que tenha sido um grande desastre, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para o sistema. As coisas poderiam estar muito piores."
Para sustentar a integridade dessa singularidade altamente instável que é 61 Cygni, repleta de contradições e conflitos, as facções estão reprimindo movimentos de contestação que exigem um sistema de autogestão com mais liberdades para os cidadãos. As chances de vitória desses movimentos são poucas; afinal, a perda da liberdade é o preço que se paga pela guerra.
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